sábado, 16 de agosto de 2008

Anhangá - Alma do Mato


Do tupi-guarani, "anhang", significando: ang - ALMA e nhã - CORRER; ou seja, "uma alma que corre".
O Anhangá é portanto, um espírito, e como tal, "invisível" que vive e corre nas matas, protegendo os animais e seus filhotes.
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O Anhangá pode apresentar-se sob a forma de um pássaro (galinha do mato), rato (soiá), morcego, macaco (jurupá). É também identificado como um veado branco com olhos de fogo com uma cruz no meio da testa, dotado de espírito andarilho, com a missão de proteger os animaizinhos nos prados, mas principalmente as fêmeas prenhas. Se bem que seja essa sua aparição mais comum, encontram-se no fabulário da região norte diferentes formas de sua presença: Mira-anhangá, Tatu-anhangá, Suasu-anhangá, Tapiira-anhangá, ou seja, visagem de gente, de tatu, de veado e de boi.
Em qualquer caso e qualquer que seja visto, ouvido ou pressentido, o Anhangá traz para aquele que o vê, ouve ou pressente certo prenúncio de desgraça, e os lugares que se conhecem como freqüentados por ele são mal-assombrados.
Nas cartas dos padres José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim fala-se de Anhanga como de um espírito malfazejo, temido pelos indígenas. O certo era atormentar os viventes. Onde a mesma assobia, a caça desaparece como por encanto. Para evitá-la, deve-se acender foguetes com duas ou três cargas, antes de entrar na mata. Outra maneira, é a defumação com a castanha de caju ou ainda, a maneira mais fácil, é fazer uma cruz de madeira encontrada na própria mata.
O caçador desprevenido que que aproximar-se o anhangá achando que é um veado e tentar abatê-lo, terá uma desagradável surpresa, pois expelindo fogo pelos olhos, o atacará com incontrolável fúria, despertando um pavor de morte.
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A LENDA :
Os negros Ba Kamba contam que um caçador encontrou dois antílopes que estragavam sua roça, e matou a fêmea e levou-a para a aldeia.
Apesar de morta, esfolada, preparada, levada para o fogo, a antílope conservava a voz humana e perguntou para onde a levam. Assando, ainda fala. Quem comeu da antílope morreu. Sacudiram o resto no mato. Imediatamente o corpo se recompôs e a antílope, sã e completa, reganhou, numa carreira veloz, a floresta.
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A crença geral é que um veado, saindo do mato, anuncia um acontecimento grave...se não for abatido com um tiro certeiro. Os Ba Kamba dormem em redes e durante a noite, uma fogueira permanece acesa ao lado da rede. E, mesmo para fazer suas necessidades, os selvagens não gostam de sair das cabanas sem levar uma tocha, tamanho o medo que sentem do demônio chamado por eles de Anhangá, que acreditam ver com freqüência.
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Eu é que não vou para a mata tirar essa história à limpo!
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Obrigada pelo award, Anjo das Frases!
Já está no meu Baú Cintilante!
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Bom final de semana!

sábado, 9 de agosto de 2008

Alamoa - a fada rainha


Era Fernando de Noronha, em tempos longínquos, um lindo reino encantado de fadas.
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Havia na ilha uma rainha-fada loira, de beleza deslumbrante. Seu palácio magnífico, situado no alto de uma colina verde, era um eterno deslumbramento.
Todos os dias, das manhãs ensolaradas, a fada-rainha de cabelos cor de ouro passeava pelos seus vastos domínios, que seu poder cobria de palácios, de primavera e flores. Nunca faltavam, pendentes das ramadas, a policromia das inflorescências e a abundância das bagas amadurecidas. A renda das espumas do mar era um bordado contínuo em torno da ilha, uma delicada teia que se fazia e se desfazia. Mas as quilhas das caravelas começaram então a sulcar e desvirginar as águas do Atlântico, além da linha do Equador. O Cruzeiro do Sul começou a ser avistado por olhos estrangeiros. O reino encantado, desencantou-se. Os palácios foram convertidos em massas negras de basalto e suas galerias foram transformadas em rochedos.
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Mas a fada-rainha loira não deixou sua amada ilha. Seu palácio soberbo foi metamorfoseado no Pico e hoje ainda vaga pelos montes e praias da ilha. Por vezes, surge montada em cães selvagens que vivem nos altos montes, como o morro Francês e o monte Espinhaço do Cavalo, soltando longos e sinistros uivos. É a fada-rainha Alamoa, que vai passando! Todas às sextas-feiras, a pedra do Pico se fende, e na chamada Porta do Pico aparece uma luz. A fada Alamoa sai para visitar as redondezas. A luz atrai sempre muitas mariposas e também a todos que passeiam próximos ao lugar. Quando um desses se aproxima da Porta do Pico, vê uma mulher loira, nua, com o corpo coberto só pelos seus cabelos que descem quase ao chão.
Os habitantes de Fernando de Noronha chamam-na Alamoa, corruptela de alemã.
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A Alamoa é uma fada que após a ocupação batava, no século XVII, resolveu vingar-se da invasão humana aos seus domínios. Aparece a qualquer passante incauto como uma mulher extremamente sedutora e o chama com uma voz quente e apaixonante. Todo aquele que não resiste a sua fascinação é levado até a Porta do Pico. Entretanto, quando o homem escolhido está crente de ter entrado em um palácio, para usufruir das delícias daquele corpo fascinante, a Alamoa se transforma de repente em uma caveira. Os seus lindos olhos, que tinham o brilho das estrelas, agora são dois buracos horripilantes. A pedra do Pico se fecha e o louco apaixonado desaparece para sempre. A angústia de seus últimos gritos ainda ressoará por alguns dias, escapando-se das fendas profundas do monte e indo misturar-se ao uivo dos cachorros selvagens e ao silvo dos ventos do sueste.
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Alamoa, de acordo com os relatos é uma fada solitária que teve penetrado, sem o seu consentimento, o seu reino encantado. O homem ao perturbar a ordem e a harmonia das coisas, atrai para si a hostilidade da natureza, sendo assim, a linda fada ofendida com a atitude humana, pode metamorfosear-se em uma bruxa repugnante. A fada sabe o que é bom para ela e o que é bom para nós. Ela é o espelho de nossa alma, que pode ser bela ou feia, dependendo do nosso interior. Aceitá-la do modo que se apresenta, nos conduzirá para a grande realização de nós mesmos.
- Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane Volpatto -