sábado, 2 de agosto de 2008

As Encantadas

As sereias são servas da Deusa da Morte (Perséfone) e foram encarregadas de levar-lhe almas. Este é o motivo pelo qual atraem marinheiros com o poder arrebatador de seu canto, levando-os à destruição nas rochas que se ocultam nas águas de seu recanto costeiro.
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As Encantadas são Deusas-Sereias do mar e como tais, nos mostram o elemento destruidor negativo que pode se manifestar quando seguimos irrefletidamente intuições e inspirações. Isso nos parece familiar quando pensamos nos artistas e pessoas criativas que se destroem por darem ouvidos a essas vozes espectrais, deixando-se arrastar pelas "Sereias" que habitam a nossa psique. Já outros, entretanto, são capazes de usar a intuição de forma positiva e, por vezes, uma torrente de energias criativas parece derramar-se deles.
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Várias tribos indígenas se espalharam pelas planícies e planaltos do Paraná. Diante da beleza de sua geografia, os índios não se contentaram em apenas admirá-las, queriam saber a origem das cachoeiras, rochedos, grutas, fauna e flora. Assim, com os recursos de sua cultura, seus valores e seu imaginário, surgiu a Lenda das Encantadas:


Contam os Caigangues do Paraná, que há muito tempo atrás, na Praia das Conchas, ao sul da Ilha do Mel, na Gruta das Encantadas, viviam lindas mulheres que bailavam e cantavam ao nascer do Sol e ao crepúsculo. Dizem que o canto delas era inebriante, dormente e perigoso para qualquer mortal. Se um pescador as escutasse, por certo perderia o rumo de sua embarcação, indo bater nas rochas e naufragar. Entretanto, certa vez, um índio corajoso e destemido aventurou-se a tentar se aproximar delas. Colocou-se à espreita no alto do rochedo.
Quando os primeiros raios multicoloridos de luz despontavam ao leste, o jovem começou a ouvir a suave e doce melodia proveniente do interior da gruta. E mulheres nuas, desenhadas de sombras, foram surgindo. À medida que as bailarinas alcançavam a boca da gruta, o canto tomava mais ênfase, mais intensidade.
Estranhamente o índio não adormeceu, justo o contrário, não desgrudou o olho do belo ritual. As misteriosas moças eram dotadas de tão rara beleza, nuas e com longos cabelos de algas, que o intruso acabou fascinado por uma das dançarinas, a que tinha os olhos cor de esmeralda. Tal era o seu fascínio, que despencou do rochedo, ganhou aos trambolhões a prainha, metendo-se de permeio na farândola, acabando de mãos dadas com a sua escolhida. Declarou-se apaixonado por ela, e confiou-lhe o seu desejo de permanecer a seu lado por toda a eternidade. A bailarina alertou-o de que para ficar com ela teria que morrer e ele reafirmou o seu desejo de ficar com ela por toda a eternidade.
- Vem, então, meu doce amor... A fonte da vida nos chama... partamos...
Mãos entrelaçadas, ao canto fúnebre das dançarinas, os jovens entraram águas adentro e quando desapareceram, já o sol era vitorioso.
As Encantadas sumiram nas águas profundas, para nunca mais aparecer
. E, desde então, a gruta está solitária, e nela ecoam se quebram os ecos dolentes e eternos do mar.
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No próximo sábado, a Lenda da Alamoa – a fada rainha.
Bom final de semana!

sábado, 26 de julho de 2008

Seres encantados brasileiros

As lendas e os mitos dos seres encantados brasileiros sempre tiveram um cunho de impressionante ingenuidade, dado ao meio em que eles circulam. Tais histórias foram passadas de "boca em boca" por gerações, mas sem perder seu sabor regional, fazendo variantes, pois é corrente em todo o Brasil que "quem conta um conto aumenta um ponto"...
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Nossas lendas sempre têm uma nova versão e uma história para contar. Na fala mansa de nosso povo simples, todas essas histórias tomam um sentido especial e são contadas com a maior seriedade.
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Para o caboclo do amazonas, depois de tudo feito na face da Terra, a bela Uiara construiu seu reinado no fundo das águas. E, é lá, ainda hoje, que ela reside. Na floresta amazônica, encontraremos também o canto do uirapuru, que enfeita com seus acordes a imensidão da mata que é seu reinado e onde pairam no ar notas de música e de felicidade...
O Boto, popular Don Juan da beira da água, continua a desvirtuar a finalidade das festas com suas conquistas amorosas. Para dar maior expansão aos acontecimentos, aqui os bichos falam, imitando a voz humana. O Matintaperera, o Curupira, o Anhangá, enfim, todos os animais têm sua voz e se expressam como o homem, basta saber ouvi-los.
Aqui, no Brasil, o caboclo vê e conversa com a linda sereia Uiara, enfrenta a Boiúna, cuida dos animais para não receber o merecido castigo do Anhangá e respeita as leis do Jurupari, pois ele saiu da terra verde e rumou léguas e léguas de imaginação, viveu sua própria história e perdeu-se na lenda.
Já nosso tapuio, é sempre personagem principal de suas lendas, que vive e sonha, tendo a selva como berço. Inigualável nessa terra que criou Tupã para os seus filhos.
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Saindo do norte e atravessando esse imenso Brasil encontraremos inúmeras e lindas histórias de seres encantados que nos trarão de volta a nossa perdida infância.
Ser outra vez possível escutar todas essas vozes, nos ensinará a viver de outro modo. Compreenda então, que cada lenda que aqui transcrevo lhe devolverá um paraíso enclausurado há muito tempo.
Os relatos fantásticos que iremos ler nos próximos posts, têm o intuito de lhes ajudar a compreender que podemos nos utilizar de todos esses contos fantásticos como um veículo dessa "viagem" que nos ajudará a reencontrar a vibração da espontaneidade, da pureza, da sinceridade que vem do coração e que permite nos reconciliarmos com a música da Natureza. Uma Natureza, não só vista como um conjunto que nos rodeia, mas sim como uma corrente de energia da qual também fazemos parte.
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Apertem os cintos e abram os olhos da imaginação...
No próximo sábado, a lenda das Encantadas.